quarta-feira, 7 de setembro de 2011

São Bernardo -Sobre a obra

Escrito em 1934, São Bernardo é narrado pelo seu personagem principal Paulo Honório, um homem que desde pequeno passa por uma difícil vida e que depois de algum tempo passa a ser proprietário da fazenda São Bernardo, localizada em Viçosa.

Dono da grande ambição de se tornar fazendeiro, Paulo Honório depois de muito custo realiza seu sonho.Porém isso lhe custa a sua humanidade, pois cada vez mais o fazendeiro vai se tornando bruto e sem coração.

O tema central do livro, é o seu amargo relacionamento com a esposa Madalena e a sua crescente desconfiança para com os empregados.Depois de muitas brigas e desentendimentos, Madalena acaba por se suicidar, deixando um pobre e desconsolado viúvo para trás, que ao se sentir solitário, entrega-se à empreitada de escrever um livro para contar sua vida e história.

O livro é escrito em 1ª pessoa pelo narrador/personagem Paulo Honório e é um dos romances Brasileiros que mais se aprofunda do psicológico dos personagens.Tem uma linguagem enxuta,fácil e dotada de beleza que faz com que seja um dos livros mais famosos do romance de 30.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

São Bernardo -Uma das obras-primas de Graciliano


Este é, sem dúvida, um dos romances mais densos da literatura brasileira. Uma das obras-primas de Graciliano , é narrado em primeira pessoa por Paulo Honório , que se propõem a contar sua dura vida em retrospectiva, de guia de cego a proprietário da Fazenda São Bernardo. Ele sente uma estranha necessidade de escrever, numa tentativa de compreender, pelas palavras, não só os fatos de sua vida como também a esposa, suas atitudes e seu modo de ver o mundo. A linguagem é seca e reduzida ao essencial. Paulo Honório narra a difícil infância, da qual pouco se lembra excetuando o cego de que foi guia e a preta velha que o acolheu. Chegou a ser preso por esfaquear João Fagundes por causa de uma antiga amante. Possuidor de fino tato para negócios, viveu de pequenos biscates pelo sertão até se aproveitar das fraquezas de Luís Padilha - jogador compulsivo. Comprou-lhe a fazenda São Bernardo onde trabalhara anos antes. Astucioso, desonesto, não hesitando em amedrontar ou corromper para conseguir o que deseja, vê tudo e todos como objetos, cujo único valor é o lucro que deles possa obter. Trava um embate com o vizinho Mendonça, antigo inimigo dos Padilhas , por demarcação de terra. Mendonça estava avançando suas terras em cima de São Bernardo. Logo depois, Mendonça é morto enquanto Honório está na cidade conversando com Padre Silveira sobre a construção de uma capela na sua fazenda. São Bernardo vive um período de progresso. Diversificam-se as criações, invade terras vizinhas, constrói açude e a capela. Ergue uma escola em vista de obter favores do Governador. Chama Padilha para ser professor. Estando a fazendo prosperando, Paulo Honório procura uma esposa a fim de garantir um herdeiro. Procura uma mulher da mesma forma que trata as outras pessoas: como objetos. Idealiza uma mulher morena, perto dos trinta anos, e a mais perto da sua vontade é Marcela, filha do juiz. Não obstante conhece uma moça loura, da qual já haviam falado dela. Decide por escolher essa. A moça é Madalena, professora da escola normal. Paulo Honório mostra as vantagens do negócio, o casamento, e ela aceita. Não muito tempo depois de casado, começam os desentendimentos. Paulo Honório, no início, acredita que ela com o tempo se acostumaria a sua vida. Madalena, mulher humanitária e de opinião própria, não concorda com o modo como o marido trata os empregados, explorando-os. Ela torna-se a única pessoa que Paulo Honório não consegue transformar em objeto. Dotada de leve ideal socialista, Madalena representa um entrave na dominação de Honório. O fazendeiro, sentindo que a mulher foge de suas mãos, passa a ter ciúmes mórbidos dela, encerrando-a num círculo de repressões, ofensas e humilhações. O casal tem um filho mas a situação não se altera. Paulo Honório não sente nada pela sua criança, e irrita-se com seus choros. A vida angustiada e o ciúme exagerado de Paulo Honório acabam desesperando Madalena, levando-a ao suicídio. É acometido por imenso vazio depois da morte da esposa. Sua imagem o persegue. As lembranças persistem em seus pensamentos. Então, pouco a pouco, os empregados abandonam São Bernardo. Os amigos já não freqüentam mais a casa. Uma queda nos negócios leva a fazenda a ruína. Sozinho, Paulo Honório vê tudo destruído e, na solidão, procura escrever a história da sua vida. Considera-se aleijado, por ter destruído a vida de todos ao seu redor. Reflete a influência do meio quando afirma: "A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste."

Personagens: Sao Bernardo

Paulo Honório: É um homem sofrido e pobre desde criança.Sem família foi criado por uma negra que vendia doce e para ter o pão de cada dia, virou guia de cegos.Dono de um feroz caráter, Paulo Honório tem o desejo de se tornar fazendeiro e para isso passa a trabalhar duro no sertão.Com o tempo, seu sonho é realizado e com isso passa a ser dono da Fazenda de São Bernardo.Ao conhecer a professora Madalena, casa-se com ela e aí se inicia um difícil relacionamento, pois apesar de ser gentil e caridosa, Madalena passa a ser desprezada pelo marido.Com o passar dos anos Paulo Honório fica cada vez mais rancoroso e bruto com as pessoas, o que causa desgosto à Madalena, que se suicida.Viúvo e solitário, Paulo Honório vira um velho sem amor por nada e passa a escrever um livro contando sua vida.

Madalena: Professora boa e gentil, casa-se com Paulo Honório quando esse tem 45 anos e passa a viver com ele na fazenda de São Bernardo, onde sempre tenta ajudar a favor dos funcionários.Porém o casamento começa a dar errado, mesmo com o nascimento do filho do casal.No final da história, Madalena esta triste e angustiada com o ciúme doentio do marido, e por isso suicida-se.

Padilha: Homem apaixonado por jogos,mulheres e bebida.Era o antigo dono da fazenda de São Bernardo, a qual ganhara de herança porém perdera o imóvel para Paulo Honório por conta de dívidas.Viveu a vida toda com poucas economias até tornar-se diretor de uma escola em São Bernardo.Grande amigo de Madalena, a qual acaba se desentendendo no decorrer de livro.

Dona Glória: Tia de Madalena, que foi como uma mãe para mesma no decorrer da vida.Acompanha a sobrinha para a fazenda de São Bernardo quando essa se casa com Paulo Honório.Agitada, sempre morou na cidade grande, por isso fica muito triste quando vai morar no campo com Madalena e seu marido.Após a morte da sobrinha vai embora de São Bernardo.

Ribeiro: É um homem já idoso, que é contratado por Paulo Honório para ser uma espécie de contador na fazenda.É um homem de vida respeitosa porém perdeu todas as suas economias quando a cidade ficou moderna.Desprezado pelo seu patrão, torna-se amigo de Dona Glória.

Análise da obra: Sao Bernardo

Publicado em 1934, São Bernardo está entre o que de melhor o romance brasileiro produziu. Num primeiro instante pode até parecer uma história de vitória de seu narrador-protagonista, Paulo Honório, que foi de guia de cego na infância até se tornar latifundiário do interior de Alagoas. No entanto, a questão principal é muito mais aguda e amarga.

Para alcançar sua ascensão social, o narrador paga um preço altíssimo, que é a destruição do seu caráter afetivo. Na verdade, a perda de sua humanidade pode ser entendida como fruto do meio em que vivia. Massacrado por seu mundo, acaba tornando-se um herói problemático, defeituoso (parece haver aqui um certo determinismo, na medida em que o homem seria apresentado como fruto e prisioneiro das condições mesológicas).

Há um aspecto que atenta contra a sua verossimilhança, que é um célebre problema de incoerência: como um romance tão bem escrito como pôde ter sido produzido por um semi-analfabeto como Paulo Honório. É uma narrativa muito sofisticada para um narrador de caráter tão tosco.

Quando se menciona que a narrativa é sofisticada, não se quer dizer que haja rebuscamento. A linguagem do romance, seguindo o estilo de Graciliano Ramos, é extremamente econômica, enxuta, mas densa de beleza.

Outra beleza pode ser percebida pela maneira como o tempo é trabalhado. Há o tempo do enunciado (a história em si, os fatos narrados) e o tempo da enunciação (o ato de narrar, de contar a história). O primeiro é pretérito. O segundo é presente. Mas há momentos magistrais, como os capítulos 19 e 36, em que, em meio à perturbação psicológica em que se encontra o narrador, os dois acabam-se misturando.

Todos esses elementos, portanto, fazem de São Bernardo uma obra do mais alto quilate, facilmente colocada entre os cinco melhores romances de nossa literatura.

Enredo: Sao Bernardo


Paulo Honório não sabia muito de seus pais nem de sua infância. Lembrava-se apenas de uma Margarida que vendia doces, a quem agora ele sustentava. Até os 18 anos trabalhou na enxada.

Depois de um tempo, cansado da antiga vida, resolveu morar na sua terra natal, Alagoas, já tencionando apropriar-se de São Bernardo.

Quando o velho Padilha [ dono das terras ] morreu, Paulo criou laços de amizade com seu filho Luís, logo emprestando-lhe dinheiro, tendo como garantia as terras. Paulo acabou por tomar-lhe São Bernardo com escritura e tudo o mais. No ano seguinte, Paulo teve que trabalhar muito.

Em uma de suas viagens a Maceió, encontrou um velho simpático chamado Ribeiro, guarda-livros da Gazeta. Resolveu levá-lo para a fazenda, já que a casa nova estava pronta.

Durante todo o tempo foi superando todos os obstáculos com meios lícitos e ilícitos.

Tudo começou a funcionar como Paulo queria e ele se tornava cada vez mais importante e respeitado. Alguns o criticavam, alegando que desejava possuir o mundo todo.

Paulo Honório mandou construir uma estrada, uma escola e uma igreja. Recebeu visita até do Governador. Depois mandou chamar Luís Padilha para ser professor na escola.

Uma idéia perseguia Paulo: a de se casar. Desejava um herdeiro para sua fazenda.

Numa noite, foi visitar o juiz Dr. Magalhães com a desculpa de um processo que estava em suas mãos, mas na verdade tinha interesse na filha do magistrado, D. Marcela. Chegando à casa do juiz encontrou muita gente e, entre outras pessoas, uma loirinha que o deixou impressionado, cuja tia encontrou mais tarde no retorno de uma viagem. A partir daí passou a freqüentar a casa delas até que pediu Madalena em casamento.

Padre Silvestre os casou. A casa e a fazenda agradaram a Madalena e a sua tia Glória. Tudo corria bem.

Madalena teve um menino. Completaram dois anos de casados. Daí por diante, Paulo começou a sentir ciúmes de sua esposa. Tinha uma certa desconfiança de todos os amigos. Observava o filho que nada tinha de parecido com ele. Ele só queria saber se sua esposa lhe era fiel. Se fosse, ele a faria a mulher mais feliz do mundo. A situação foi-se agravando. Paulo Honório desconfiava até do padre e dos caboclos. Estava quase louco. À noite, ouvia passos e assobios que acreditava serem sinais. Não dormia. Madalena, nas conversas, mantinha-se serena. Só dizia que caso morresse de repente queria que dessem seus vestidos à família do Mestre Caetano e a Rosa; e os seus livros ao seu Ribeiro, Padilha e Gondim. Até que um dia se suicidou.

Enterram Madalena. Paulo mudou de quarto. D.Glória e Seu Ribeiro foram-se. Estourou a Revolução. Padilha e Padre Silvestre incorporam-se às tropas revolucionárias. O outro ano foi terrível. Tudo andava mal, mas Paulo parecia não se incomodar. Era um homem só. Viúvo há dois anos. Um homem acabado. Sem amor, sem dinheiro, sem nada que resolve escrever um livro sobre sua vida.

Introdução ao tema: Sao Bernardo


Segundo romance de Graciliano Ramos, São Bernardo [1934] é uma das obras mais expressivas da vertente regionalista do segundo modernismo brasileiro, voltado, na ficção, para o questionamento social e psicológico, para o desnudamento dos anacronismos de uma sociedade primitiva, violenta, pré-capitalista. As mazelas e desigualdades do Nordeste Brasileiro foram o fermento da retomada da atitude crítica do Realismo/Naturalismo, enriquecida com o instrumental analítico das novas teorias sociológicas e psicológicas, e com as conquistas do Modernismo de 1922.

Obras do autor

§ Caetés -1933;

§ São Bernardo-1934;

§ Angústia -1936;

§ Vidas Secas -1938;

§ A Terra dos Meninos Pelados-1939;

§ Brandão Entre o Mar e o Amor-1942;

§ Histórias de Alexandre-1944;

§ Infância-1945;

§ Histórias Incompletas-1946;

§ Insônia-1947;

§ Memórias do Cárcere, póstuma-1953;

§ Viagem, póstuma-1954;

§ Linhas Tortas, póstuma-1962;

§ Viventes das Alagoas, póstuma-1962;

§ Alexandre e outros Heróis, póstuma-1962;

§ Cartas, póstuma-1980;

§ O Estribo de Prata, póstuma-1984;

§ Cartas à Heloísa, póstuma-1992;